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domingo, 18 de dezembro de 2011

Gadgets pra quê?

     Dias desses, estava lendo o caderno Direito & Justiça, publicado por um dos jornais de Minas Gerais. Em um dos artigos, cujo título era Pirataria, o articulista saiu-se com esta frase: "As leis não podem alcançar efeitos se lhes faltarem os suportes de ferramentas operacionais. A oferta às escâncaras de tais gadjets nas praças, nas ruas, nas calçadas e até nas vizinhanças de postos policiais é a melhor prova da frágil capacidade de reação do Estado.".
     Não quero discutir o conteúdo da argumentação do autor contra a pirataria, questão que mereceria outro artigo, mas mostrar a desnecessidade do emprego de palavras inglesas - e pior - transcritas de forma incorreta. 
     Na frase citada, aparece uma palavra da língua inglesa, cuja grafia correta é gadget, escrita com gê também na segunda sílaba e, não, jota, como saiu no jornal. O que significa essa palavra? Aparelho, dispositivo, invento, engenhoca, artifício.
     E aí minha pergunta: por que o jornalista, em vez de simplificar, em vez de usar a língua materna, empregou uma palavra inglesa pouco usual? Deixo a resposta para vocês, blogueiros de plantão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Questão de concurso do CESPE/UNB (2011)


Trata-se de uma questão interessante sobre correspondência oficial, em uma prova para Procurador da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Vejam:


"MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Of. 012/2013-MJ
                                                                                             Brasília, 10 de agosto de 2013.
Assunto: Resolução n.º 12/2013-MJ

A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Ministro de Estado da Saúde
70.000 – Brasília, DF

Considerando as informações acima, relativas à parte inicial de um ofício hipotético, assinale a opção que contém a forma correta do vocativo a ser empregado nesse ofício.

A Senhor Ministro
B Excelentíssimo Senhor Ministro
C Digníssimo Ministro
D Magnífico Senhor Ministro
E Mui Digno Senhor Ministro."

Qual a resposta correta? Deixarei vocês pensarem e comentarem. Daqui a alguns dias, darei a resposta fundamentada. Combinado? Abraço a todos!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Polícia Civil do Estado ou do estado de Minas Gerais?

A aluna de Letras do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH), Clara Terra Benevides Sanches, me enviou por e-mail a pergunta acima. Como se trata de uma dúvida comum, reproduzo a resposta que enviei para ela.


O substantivo estado, como nome comum, escreve-se com caixa-baixa: estado de saúde, estado psicológico etc. Contudo, quando ele significa unidade da Federação, deve ser escrito com caixa-alta: Estado de Minas Gerais, o Estado do Rio de Janeiro, entre outros.

A título de confirmação, veja o que registra o Dicionário escolar da língua portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008, p. 542: "[...] 6. Território decorrente da divisão geográfica e política de um país: Estado de Minas Gerais [...]".

Como a competência para legislar sobre questões ortográficas pertence à Academia Brasileira de Letras, não  resta dúvida de que, no português formal, a palavra "estado", quando se referir à unidade da Federação, deve ser escrita com inicial maiúscula: Polícia Civil do Estado de Minas Gerais.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quais as diferenças entre anexo e em anexo?

Recebi um e-mail de Micheline Almeida com a seguinte pergunta: "Como se diz: em anexo ou anexo?".

Resposta: no português formal, a palavra anexo é um adjetivo e concorda com o substantivo a que se refere em gênero (masculino/feminino) e em número (singular/plural). Exemplos:

  1. Enviamos anexos (masculino plural) os ofícios (masculino plural).
  2. Seguem anexas (feminino plural) as correspondências (feminino plural).
  3. A carta (feminino singular) segue anexa (feminino singular).
  4. O documento (masculino singular) está anexo (masculino singular).
A expressão em anexo é uma locução adverbial e, por sua natureza adverbial, nunca sofre variação, ou seja, fica sempre em anexo. Exemplos:

  1. Enviamos em anexo os ofícios.
  2. Seguem em anexo as correspondências.
  3. A carta segue em anexo.
  4. O documento segue em anexo.
Aproveito para agradecer a Micheline pela pergunta enviada.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Dia internacional do livro infantojuvenil ou infanto-juvenil?

Outro dia, recebi uma propaganda da Editora Saraiva sobre o "Dia Internacional do Livro Infantojuvenil". De início, estranhei a grafia "infantojuvenil", pois, como se trata de um adjetivo composto (infantil + juvenil), essas palavras teriam de estar ligadas por meio de um hífen: infanto-juvenil, tal como ocorre com outros adjetivos compostos: luso-brasileiro, rubro-negro, entre outros.

Qual não foi a minha surpresa ao consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa  (VOLP), quinta edição, editado pela Academia Brasileira de Letras, já em conformidade com a nova ortografia, e encontrei a mesma grafia da propaganda da Saraiva: infantojuvenil.

Resolvi consultar o dicionário Houaiss, segunda edição (conforme a nova ortografia), e nele também se encontra a mesma grafia "infantojuvenil". Indignado, não me dei por vencido, fui ao Aulete Digital e, finalmente, encontrei trigo nesse joio ortográfico: "infanto-juvenil. 1  Ref. ou inerente à infância e à juventude (comportamento infanto-juvenil; literatura infanto-juvenil)".

O fato, caro leitor, é que inexplicavelmente errou a ABL, e o Houaiss, infelizmente, "foi na onda"... Por ser um adjetivo composto, a grafia correta é infanto-juvenil, com hífen. Palmas para o Aulete Digital!, o qual, diga-se de passagem, pode ser baixado gratuitamente da internet.





quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A queima-roupa ou à queima-roupa?

Notícia no portal do Uai (http://www.uai.com.br/), publicada em 24 de fevereiro de 2011: "Laudo aponta para assinatos a queima-roupa".

O que faltou a essa notícia? O acento grave (`) sobre o "a" da locução à queima-roupa. Na dúvida, como ensino sempre aos meus alunos, consulte um dicionário. Veja o que nos ensina o dicionário Aurélio, 3. ed.: "À queima-roupa.

1. De muito perto; cara a cara: 'Com dois berros à queima-roupa sacudi Janjão da sonolência' (José Cândido de Carvalho, O Coronel e o Lobisomem, p. 59).

2. De repente; de improviso; de chofre: 'Eu .... não lhe anunciara a partida, decidida, quase à queima-roupa, nas vésperas do embarque.' (Joaquim Paço d'Arcos, Neve sobre o Mar, p. 17.)

3. Brusca e violentamente, como tiro à queima-roupa: Disse-lhe, à queima-roupa, tantas inverdades, que o pobre mal teve reação". 
 
Repare, caro leitor, como os exemplos, enumerados pelo mestre Aurélio, não deixam margem para dúvida sobre o emprego ou não do acento.  Jornalista, por favor, não assassine a língua portuguesa! Na dúvida, consulte um dicionário...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Presidente ou Presidenta?

Com a posse de Dilma Rousseff à Presidência da República Federativa do Brasil, surgiu a dúvida: a presidente Dilma ou a presidenta Dilma?

As duas formas são adequadas ao português formal. A segunda costuma soar estranha aos ouvidos de certas pessoas, contudo, já está registrada inclusive no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), quinta edição, 2009.

Esperemos, agora, que a presidente ou a presidenta faça um ótimo governo. O Brasil merece!