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domingo, 18 de dezembro de 2011

Gadgets pra quê?

     Dias desses, estava lendo o caderno Direito & Justiça, publicado por um dos jornais de Minas Gerais. Em um dos artigos, cujo título era Pirataria, o articulista saiu-se com esta frase: "As leis não podem alcançar efeitos se lhes faltarem os suportes de ferramentas operacionais. A oferta às escâncaras de tais gadjets nas praças, nas ruas, nas calçadas e até nas vizinhanças de postos policiais é a melhor prova da frágil capacidade de reação do Estado.".
     Não quero discutir o conteúdo da argumentação do autor contra a pirataria, questão que mereceria outro artigo, mas mostrar a desnecessidade do emprego de palavras inglesas - e pior - transcritas de forma incorreta. 
     Na frase citada, aparece uma palavra da língua inglesa, cuja grafia correta é gadget, escrita com gê também na segunda sílaba e, não, jota, como saiu no jornal. O que significa essa palavra? Aparelho, dispositivo, invento, engenhoca, artifício.
     E aí minha pergunta: por que o jornalista, em vez de simplificar, em vez de usar a língua materna, empregou uma palavra inglesa pouco usual? Deixo a resposta para vocês, blogueiros de plantão.

3 comentários:

  1. Professor,

    Muito bom seu post! Usei 'post', porque assim como o jornalista acima, não consegui substituir a expressão por outra em português! rs

    Mas minha dúvida é outra: Mentecapto é um substantivo, certo? Ele é variável? Podemos colocá-lo no feminino?

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    Respostas
    1. Karoline, obrigado pelo elogio! A palavra mentecapto deriva do latim "mente captus", cujo sentido é "privado do juízo, da razão". Ela pode ser um substantivo ou um adjetivo, depende do contexto em que é empregada.

      Como substantivo, trata-se de uma palavra masculina. Exemplo fornecido pelo "Dicionário Aurélio Século XXI", 3. ed., p. 1.318: "Esta fusão do ceticismo do filósofo .... com a parva fraseologia do mentecapto e com as insensatas alegrias do truão e do ébrio, forma um dos traços mais salientes do estilo shakespeariano" (Araripe Júnior, Ibsen, p. 61).".

      Como adjetivo, veja-se o exemplo extraído do "Dicionário da língua portuguesa contemporânea", da Academia das Ciências de Lisboa, v. II, p. 2.439: "Baltasar, o teu pai era mentecapto, andava pelos caminhos com um ramo de oliveira a cantar loas."(AQUILINO, "Andam Faunos", p. 185)".

      Portanto, como substantivo, ele varia em número: o mentecapto/os mentecaptos. Como adjetivo, varia em gênero e número: Clotilde é uma mentecapta; Lúcio, um mentecapto. Lúcio e Clotilde são mentecaptos. Maria e Joaquina são mentecaptas.

      Depois de tanto falar sobre isso, acho que me tornei um pouco mais mentecapto...

      P.S.: Sua dúvida foi tão interessante que vou publicá-la também como artigo do blogue, pode ser?

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  2. Obrigada Wagner,

    E claro que pode pubicar a dúvida como artigo do blogue.

    Um abraço,

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