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domingo, 29 de abril de 2012

Bom-senso? Nova Iorque?


Dúvidas encaminhadas por Geraldo Magela de Faria, licenciado em Letras pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH) e revisor:

"Apresento estas questões para os amigos que gostam de estudar o idioma.
 
1 A minha parceira de revisão de textos, Viviane, achou no VOLP o registro bom-senso (com hífen). Os dicionários não abonam este registro.
Um dos destinatários disse que se deve respeitar o VOLP e concordo com ele. E neste caso?
 
2 Nunca gostei de Nova Iorque (da grafia, porque a cidade eu não conheço, assim como nunca comi caviar).
 Pois, hoje, deparei com a definição de nova-iorquino no Houaiss, conforme segue: "[...] relativo ao Estado de Nova York ou à cidade de mesmo nome (E.U.A.) ou o que é seu natural ou habitante". Fui ao VOLP e, para meu espanto, estão lá nova-yorkiense e nova-yorkino. Não acreditei, fiz outras leituras e confirmei."

Minha resposta


Questão 1

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), quer queiramos ou não, é a fonte oficial para dúvidas de ortografia. Se ele registra bom-senso, com hífen, na norma-padrão é assim que teremos de grafar.

Questão 2

Ou se grafa Nova Iorque, aportuguesado, ou New York. É um absurdo o Houaiss chancelar um erro desses.

Quanto a "nova-yorkino", não se trata de uma incoerência, pois, na nova ortografia, as letras "k" e "y" foram inseridas ao alfabeto do português. Além disso, o VOLP traz também a forma variante "nova-iorquino".


6 comentários:

  1. Fiz pesquisa no site da Academia, e atualmente o VOLP grafa bom senso, sem hífen.
    Att,

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  2. Valentina, no site da Academia, se digitamos "bom-senso", aparece a informação: "Palavra não existente". Contudo, se você consultar a versão do VOLP em livro, encontrará, na p. 126: "bom-senso s.m.; pl. bons-sensos". (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 5. ed. São Paulo: Global, 2009).

    Portanto, o bom-senso nos recomenda usar o hífen, conforme a versão impressa, visto que a eletrônica é omissa.

    Abraço,

    Wagner.

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  3. Li há meses o vocábulo "bom-senso" com hífen no VOLP. Estranhei que agora já não está com hífen. Perguntei ao ABL RESPONDE, o motivo da mudança, eles responderam assim:

    Resposta : Prezado Eduardo, /bom senso/ sempre foi locução. Não sabemos dizer se foi feita alguma correção.
    Acredita se quiseres, nesse país nada é o quê à primeira vista parece ser.

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  4. Prezado Eduardo, o fato é que, na versão impressa, está com hífen. A versão eletrônica é omissa. Como ficamos? Com a versão impressa, até que a ABL lance a 6a. edição do VOLP.

    Grato por sua contribuição!

    Abraço,

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  5. Respostas
    1. Prezado "DicionarioeGramatica", fico feliz por adorar meu blogue. Quanto a seus comentários, permita-me refutar seus argumentos. Primeiro porque você diz que "Bom senso naturalmente se escreve sem hífen, como sempre se escreveu; [...]". Ora, a ortografia não é algo natural, mas artificial. É uma convenção. Veja-se o ensinamento do gramático Luiz Antonio Sacconi, na obra "Não erre mais", 25. ed, datada de 2000: "Usa-se com hífen, no português contemporâneo, não só bom-senso, mas também: mau-senso, mau-gosto, bom-gosto, mau-humor, bom-humor, boa-vontade, má-vontade, boa-fé, má-fé, porque todos são considerados nomes compostos.". Portanto, a versão impressa está correta. Em relação à digital, esta não traz o nome composto "bom-senso". Se digitamos na busca esse nome, aparece a mensagem: "Nenhum resultado encontrado". Finalmente, não é "lenda urbana" que o VOLP tenha caráter oficial e, muito menos, que a ABL não tenha "status" normativo, haja vista o que se determina na Lei 5.765/71, combinada com o art. 13 da CF/88, bem como com o Acordo Ortográfico celebrado entre os países de língua portuguesa. Ou seja, se você fizer uma interpretação sistemática dessas normas jurídicas, verá que suas afirmativas são falsas. Abraço e seja sempre bem-vindo!

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